Resistia
Não sabia se valia
a felonia
Mas pensou na rebeldia
No dia
que ao revés
se revelaria
sexta-feira, 5 de agosto de 2011
segunda-feira, 25 de julho de 2011
O homem sempre será o isto que é
Experiências descobrem naturezas
e as adaptam no si consciente do ser
(naturalidades podem ser brutais quanto artificializados nos descobrimos)
As pessoas que conhecemos, as loucas, são experiências concentradas
Uma gota que pesa mais do que pesa qualquer coisa que tenha peso
Massa
Massa
Peso no corpo e na mente
Quem é essa gente?
Quem é essa gente?
A leveza pesa, o peso pesa, o peso leva, a leva leva
mas desapega, não menos afetado,
frente ao abismo do
suportar de um
indivíduo
Experiências descobrem naturezas
e as adaptam no si consciente do ser
(naturalidades podem ser brutais quanto artificializados nos descobrimos)
As pessoas que conhecemos, as loucas, são experiências concentradas
Uma gota que pesa mais do que pesa qualquer coisa que tenha peso
Massa
Massa
Peso no corpo e na mente
Quem é essa gente?
Quem é essa gente?
A leveza pesa, o peso pesa, o peso leva, a leva leva
mas desapega, não menos afetado,
frente ao abismo do
suportar de um
indivíduo
quarta-feira, 20 de julho de 2011
sábado, 9 de julho de 2011
quinta-feira, 7 de julho de 2011
o
De nó em nós
se cose o embaraço
De pó em pois
se firma o descompasso
A medida entre os dois pontos
agora enlouqueceu
Quando distante era tão curto
e emperteado longeou
Eu só espero não ter a infinitude
de daqui até o céu
No máximo essa distância de anel:
daqui até aqui.
se cose o embaraço
De pó em pois
se firma o descompasso
A medida entre os dois pontos
agora enlouqueceu
Quando distante era tão curto
e emperteado longeou
Eu só espero não ter a infinitude
de daqui até o céu
No máximo essa distância de anel:
daqui até aqui.
quarta-feira, 6 de julho de 2011
como quem não quero nada
quero um doce, uma música
e sentir um cheiro bom
como quem não quero nada
como um doce, ouço música
e tomo um banho no tom
como quem não quero nada
visto doce, canto a música
e pego um trem na estação
como quem não quero nada
chego doce, ligo a música
e logo logo tudo é zonzom
como quem não quero nada
dispo o doce, movo à música
e em ti desconto: era tesão
quero um doce, uma música
e sentir um cheiro bom
como quem não quero nada
como um doce, ouço música
e tomo um banho no tom
como quem não quero nada
visto doce, canto a música
e pego um trem na estação
como quem não quero nada
chego doce, ligo a música
e logo logo tudo é zonzom
como quem não quero nada
dispo o doce, movo à música
e em ti desconto: era tesão
domingo, 26 de junho de 2011
quadrada
primeiro verso e dez sílabas métricas
segundo verso e dez sílabas métricas
terceiro verso e dez sílabas métricas
quatro versos e dez sílabas mentem
segundo verso e dez sílabas métricas
terceiro verso e dez sílabas métricas
quatro versos e dez sílabas mentem
quinta-feira, 5 de maio de 2011
escolhe o se (ou escoliose)
tenho dor de enseada de cálcio
com o vigor compacto de um punho fechado
que de tão duro me enrijece do fisgaço
penso se a pedra doesse
será poderia me explicar
o segredo de ser natural
pra ver se descubro conformação
em ser mijado num dia estalado de sol
com o vigor compacto de um punho fechado
que de tão duro me enrijece do fisgaço
penso se a pedra doesse
será poderia me explicar
o segredo de ser natural
pra ver se descubro conformação
em ser mijado num dia estalado de sol
parece
o que sou não me alcança
o que penso não me torna
o que sinto não me domina
(ou tem preguiça)
e o que me move...
pensa que não
o que penso não me torna
o que sinto não me domina
(ou tem preguiça)
e o que me move...
pensa que não
domingo, 1 de maio de 2011
na calçada sentada sem fralda
cocô de rato
gato cachorro
e de gente
cocô de aranha
mosca barata
e serpente
e a criança
daquela bunda
nem sente
gato cachorro
e de gente
cocô de aranha
mosca barata
e serpente
e a criança
daquela bunda
nem sente
quinta-feira, 14 de abril de 2011
quarta-feira, 16 de março de 2011
fosse assim
fui limpar minha cara
e não tinha algodão.
claro, fui pra janela
escolher uma nuvem
a mais branca e
melhor absorvente.
tem uma boa vindo
à esquerda, esperei.
quando pude alcançar
peguei grande chumaço
que já na minha mão
foi se acinzentando.
caiu um pedaço no
meu pé e num logo
logo escureceu.
esfreguei a nuvem
na cara: bochechas
testa, nariz, pescoço
pálpebras.
fechados olhos,
senti água escorrer
pesado pelos braços
entornando pelos
meus cotovelos:
fez poças no chão.
já lago, meus pés
alcançados, molhados,
me arregalaram os
olhos de supetão
num susto elétrico:
descarga de raios.
da congestus só
vi a cumulonimbus
enchendo tempestades
em meu banheiro.
a pavor saí, tranquei
difícil aquela porta.
no quarto o espelho
tanto mais me apavora:
eu estava tão limpa
como nunca ter existido.
má nuvem levou minha
humanidade.
e não tinha algodão.
claro, fui pra janela
escolher uma nuvem
a mais branca e
melhor absorvente.
tem uma boa vindo
à esquerda, esperei.
quando pude alcançar
peguei grande chumaço
que já na minha mão
foi se acinzentando.
caiu um pedaço no
meu pé e num logo
logo escureceu.
esfreguei a nuvem
na cara: bochechas
testa, nariz, pescoço
pálpebras.
fechados olhos,
senti água escorrer
pesado pelos braços
entornando pelos
meus cotovelos:
fez poças no chão.
já lago, meus pés
alcançados, molhados,
me arregalaram os
olhos de supetão
num susto elétrico:
descarga de raios.
da congestus só
vi a cumulonimbus
enchendo tempestades
em meu banheiro.
a pavor saí, tranquei
difícil aquela porta.
no quarto o espelho
tanto mais me apavora:
eu estava tão limpa
como nunca ter existido.
má nuvem levou minha
humanidade.
segunda-feira, 14 de março de 2011
o dia fazendo mais força
minhas noites tem
sido cedo dormidas,
pesadas, e as suas?
não deve estar
à minha procura
pois eu tenho mesmo
é dormido como se
morta
sido cedo dormidas,
pesadas, e as suas?
não deve estar
à minha procura
que de tanta minhas
pálpebras fura
meu dedos
ventriloca
e minha boca
- rasgada de sorrir -
te evoca
pálpebras fura
meu dedos
ventriloca
e minha boca
- rasgada de sorrir -
te evoca
pois eu tenho mesmo
é dormido como se
morta
sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011
quando vi Chico Buarque
o peso de
seus olhos ultramarinos me azuleta
e o céu da tarde então me encapa
uma nuvem gris me transpassa
e traz um tufão que me enventa
todos meus poros desvariam: esquentam ebulem eriçam erigem
as vísceras se diluem no meu ventre e vão quebrando em ondas
tudo no recorte de um instante que passado minha cor me volta
e logo o aprendismo me domina: quer estande
a contraprova de que no tempo dum momento
o alto-mar lírico soprou meus cabelos de vento
seus olhos ultramarinos me azuleta
e o céu da tarde então me encapa
uma nuvem gris me transpassa
e traz um tufão que me enventa
todos meus poros desvariam: esquentam ebulem eriçam erigem
as vísceras se diluem no meu ventre e vão quebrando em ondas
tudo no recorte de um instante que passado minha cor me volta
e logo o aprendismo me domina: quer estande
a contraprova de que no tempo dum momento
o alto-mar lírico soprou meus cabelos de vento
sábado, 19 de fevereiro de 2011
engarrafamento
parado encadeado ao automóvel
em que eu me encontro trancafiado
mais imóvel ainda em relação ao chão:
são as engarrafas descasuais
tão pontuais que me irrito
mas será o benedito?
há quanto tempo?
que horas são?
veja só, um catavento! - um passatempo -
a girar antihorário... seria as antihoras
melhores que esse tempo?
desgirou o catavento
fazendo um quase parar
até pairar em favor horário
e que favor... gira depressa!
ah! fosse assim o meu relógio
estaria eu noutro lugar melhor...
ou pior! já cansada a retornar
pr'essas engarrafas retornáveis
em que eu me encontro trancafiado
mais imóvel ainda em relação ao chão:
são as engarrafas descasuais
tão pontuais que me irrito
mas será o benedito?
há quanto tempo?
que horas são?
veja só, um catavento! - um passatempo -
a girar antihorário... seria as antihoras
melhores que esse tempo?
desgirou o catavento
fazendo um quase parar
até pairar em favor horário
e que favor... gira depressa!
ah! fosse assim o meu relógio
estaria eu noutro lugar melhor...
ou pior! já cansada a retornar
pr'essas engarrafas retornáveis
quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011
tesoureado
queria me embriagar
me encontrar de ti perdido
me esperdiçar, te trair e voltar
fazer disto meu purgar requerido
escrava do teu suspenso perdão
sorridentar teu chute à minha cara
de bom grado ter seu carinho de navalha
agradecer cada ofensa e muito mais pedir: fala
louca de querer querer
querer querido e não forjado
a estas linhas - oculto o fado -
sou retalho
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